Mensagem do Cofundador — Nova Berith 23 anos

Amados irmãos e irmãs, paz e alegria.

Já correm pelo menos vinte e cinco anos da época em que começávamos a sentir no coração um apelo, um sentimento que nos fazia querer qualquer coisa, ainda não claramente compreendida, que nos permitisse ter um compromisso maior e mais profundo com o Evangelho. Um sentimento que, ao mesmo tempo, se exprimisse de uma maneira nova, diversa de tudo aquilo que já existia. Era como uma semente, que potencialmente habitava os corações e brilhava nos olhos de alguns de nós que ainda hoje, pela graça de Deus, estão em nosso meio.

Aproximava-se então o carnaval de 1998, quando Janaína — tendo voltado do Encontro Liderança Shalom — disse-me em segredo que “sentia no coração” que nós deveríamos dar início a uma nova comunidade. Naquele momento inicial, falávamos ainda de comunidade de renovação: a Berith. A alegria foi imediata, como imediato também foi o ato de cantar: “eu te escolhi, para seres aliança”.

Os passos foram marcados pelo acompanhamento solícito da Igreja: a abertura de Dom Marcelo e dos Frades, o acompanhamento de Dom Epaminondas, o acolhimento, o reconhecimento e o impulso que nos deu Dom Aldo, e o apoio e o olhar paterno e cuidadoso de Dom Delson nesses últimos tempos. E houve também tantos padres e irmãos leigos, na primeira e na última hora, amigos que Deus colocou e coloca sempre no nosso caminho. Cada um é um presente inestimável de Deus.

Mas é preciso dizer que tudo foi fecundado, gestado, amadurecido e confirmado no âmbito de uma vida de oração constante, pessoal e comunitária — aqui incluo aquela que é a maior de todas as orações, a celebração eucarística —, e no espaço fértil da vida fraterna. Foi aí que Nosso Senhor lançou a semente do carisma.

José Costa Filho, José Claudio e Janaína Novais — Santuário da Imaculada Conceição, 2015

Também gostaria de contar uma pequena história, que sinteticamente contém todos esses princípios que conformaram a nossa história. É como um recorte da vida, embebido na água viva do Espírito.

Sob a direção de Dom Epaminondas, fiz um retiro para encontrar um ideal que iluminasse a minha própria vida. Saí com 3 diretrizes:

  • “a minha identidade profunda é o amor”;
  • as bem-aventuranças;
  • a devoção ao coração de Jesus.

Tudo isso submeti ao bispo, que confirmou aquela oração. Rezando pessoalmente na casa da comunidade, pedi a Deus, na escritura, que me ajudasse a viver tudo aquilo, porque eu me sentia incapaz de viver essas coisas sem a ajuda Dele.

Abri aleatoriamente a Sagrada Escritura e li o texto de Efésios 3:

“corações arraigados na caridade, conhecer a altura, a profundidade, a largura e comprimento do amor de Cristo, que vai além de todo conhecimento; Ele pode fazer em vocês isso e muito, muito mais do que vocês podem pedir ou imaginar. A Ele a Glória”

Grande alegria! Logo depois, um certo temor: e se esse não for o carisma da comunidade? Então, o que fiz depois disso? Fiquei em silêncio e a ninguém disse nada do que se tinha passado.

O tempo passou e, certo dia, Janaína telefonou para mim enquanto eu estava no trabalho e me disse que, ao sair da missa no Santuário, teve a moção de que o Senhor lhe dava a primeira e a segunda regra na comunidade:

  1. “Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus”;
  2. “O abandono no coração misericordioso de Jesus”.

Alegremente, eu pude dizer:

“Confirmo!”

À noite, ela me disse na presença de duas pessoas que estavam reunidas na casa da comunidade:

“Quando pedi a Deus uma confirmação dessas regras, veio-me Efésios, capítulo 3.”

Lembram? Corações arraigados na caridade, conhecer o amor de Cristo, a graça que tudo pode fazer. Hoje, sabemos que é um dos textos da liturgia do coração de Jesus. Então, nem isso sabíamos! Mas sentimos que Deus, com muita simplicidade, tinha falado conosco. Havia manifestado algo a ela, como fundadora, e eu tive a alegria — evidentemente imerecida — de poder simplesmente confirmar tudo aquilo. Claro que “nem tudo são flores na vida de Laurinha”. A verdade é que, apesar de todas as dificuldades, apesar de algumas vezes parecer que não seríamos capazes de continuar, um sopro novo sempre passou sobre a nossa comunidade, e ela sempre renasceu.

Magnificat, representado no musical “Exulte: o amor se fez rosto” — 2017

Por isso, com muita gratidão, cada vez mais consciente das próprias fraquezas e limitações e da misericórdia e da bondade de Deus, o que sai do coração é, antes de tudo, o louvor:

“Minha Alma glorifica o Senhor, Meu espírito Exulta em Deus, meu salvador; Ele olhou para a nossa fraqueza e doravante somos felizes”

A partir do louvor, uma conclamação: meus irmãos, vamos ser fiéis ao carisma que Deus nos deu. Esta é a resposta da nossa gratidão. Vamos ser fiéis juntos, fraternalmente, mas se alguém falhar, que o outro, estando de pé pela graça de Deus, possa levantá-lo. Se formos fiéis, mesmo no pouco, o Senhor fará muito mais do que imaginamos. Ele não falha. Sabemos que isso é verdade.

E há um segredo na pequena via: quem ama, não sabe calcular. A gente nunca sabe, no fim das contas, o que é pouco e o que é muito. Convém que seja assim. É melhor pensar que é pouco, afinal, tudo o que fazemos, em comparação com a grandeza e o amor de Deus, não é nada mesmo.

Agradeço a todos os irmãos de comunidade. Mas, especialmente, agradeço a Janaína, que não pode estar aqui. Esposa, mãe, fundadora. Mulher amável, solícita, orante, fiel, cheia de ternura e alegria, humilde e portadora de uma grande confiança e de uma experiência que, para mim, ainda se mostra um pouco envolta no segredo de Deus — naquilo que pertence a Ele e a ela. Deus seja louvado pela vida dela e pela vida de todos os que se sentem chamados a esse carisma e respondem com generosidade. Deus seja louvado pela vida de Padre Cláudio, de Padre Gerson e de Frei Dimas, que aqui celebram conosco e que presidem, em nome de Cristo, em tantas celebrações eucarísticas das quais tomamos parte, a nossa comunhão.

Partilha de José de Oliveira Costa Filho após a missa no Santuário da Imaculada Conceição, em João Pessoa, na ocasião dos 23 anos da Comunidade Católica Nova Berith, em 23 de Maio de 2022.

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Comunidade Católica Nova Berith. O nosso carisma é ser Sorriso de Deus para o Mundo!

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